O que é uma função do 1º grau?
A função do 1º grau, também chamada de função afim, é um dos conceitos mais importantes da álgebra e aparece em diversas situações do dia a dia. De maneira simples, ela é uma relação matemática que associa cada número real x a um valor f(x) definido pela expressão f(x) = ax + b, onde a e b são números reais e a é diferente de zero. Essa condição a diferente de zero é essencial, porque garante que a função seja de fato do primeiro grau. Se a fosse igual a zero, a expressão se reduziria a f(x) = b, que é uma função constante, e seu gráfico seria uma reta horizontal, não oblíqua. O domínio da função do 1º grau é o conjunto de todos os números reais, assim como seu contradomínio, o que significa que qualquer valor real pode ser atribuído a x e o resultado f(x) também será um número real. Essa característica torna a função muito versátil para modelar fenômenos que variam de forma linear. Para entender melhor a definição formal, consulte a explicação completa no portal Brasil Escola.
Na prática, a função do 1º grau aparece quando duas grandezas se relacionam de maneira proporcional, acrescidas de um valor fixo. Por exemplo, o custo total de uma corrida de táxi pode ser expresso como C(x) = 3,50 + 2,00x, onde x é a distância percorrida em quilômetros. Nesse caso, o coeficiente a = 2,00 representa o valor cobrado por quilômetro (a taxa variável), e b = 3,50 é a bandeirada (taxa fixa). Outro exemplo comum é a conversão de temperaturas entre Celsius e Fahrenheit, que segue a fórmula F(C) = 1,8C + 32. Em todos esses contextos, a estrutura f(x) = ax + b se repete, e compreendê-la profundamente abre portas para resolver problemas de matemática financeira, física e engenharia.
Coeficientes da função afim
Na expressão f(x) = ax + b, os coeficientes a e b têm significados geométricos e práticos muito claros. O coeficiente a, chamado de coeficiente angular ou taxa de variação, indica a inclinação da reta que representa o gráfico da função. Quanto maior o valor absoluto de a, mais inclinada é a reta. Se a for positivo, a função é crescente; se a for negativo, a função é decrescente. Já o coeficiente b, chamado de coeficiente linear, é o ponto onde a reta corta o eixo y, ou seja, o valor de f(0). Esse parâmetro é fundamental para determinar o ponto de partida da função no plano cartesiano.

Para fixar o entendimento, veja a tabela abaixo com exemplos de funções do 1º grau e seus coeficientes:
| Função | Coeficiente angular (a) | Coeficiente linear (b) | Comportamento |
|---|---|---|---|
| f(x) = 2x + 5 | 2 | 5 | Crescente (a > 0) |
| f(x) = -3x + 1 | -3 | 1 | Decrescente (a < 0) |
| f(x) = 0,5x - 4 | 0,5 | -4 | Crescente (a > 0) |
| f(x) = -x + 7 | -1 | 7 | Decrescente (a < 0) |
Além disso, o coeficiente angular pode ser calculado a partir de dois pontos quaisquer da reta, usando a fórmula a = (y2 - y1) / (x2 - x1). Isso é útil quando não conhecemos a expressão algébrica, mas temos valores tabelados. Já o coeficiente linear b é facilmente obtido substituindo x = 0 na função ou lendo diretamente o ponto onde o gráfico cruza o eixo y. Para aprofundar os estudos sobre esses coeficientes, a plataforma Beduka traz uma explicação detalhada com exercícios resolvidos.
Gráfico da função do primeiro grau
O gráfico de toda função do 1º grau é uma reta, e essa reta nunca é paralela ao eixo x nem ao eixo y, a menos que a = 0 (o que não é o caso). Por isso, dizemos que a reta é oblíqua em relação aos eixos. Para desenhar o gráfico, basta determinar dois pontos distintos que satisfaçam a função e traçar a reta que passa por eles. Os pontos mais fáceis são a interseção com o eixo y (0, b) e a raiz, ou interseção com o eixo x, que será vista adiante.

Se a > 0, a reta sobe da esquerda para a direita: à medida que x aumenta, f(x) também aumenta. Se a < 0, a reta desce: quando x aumenta, f(x) diminui. Essa inclinação é visualmente percebida no plano cartesiano. Por exemplo, a função f(x) = 2x + 1 tem a = 2, portanto é crescente; já f(x) = -0,5x + 3 tem a = -0,5, sendo decrescente. Vale notar que o valor de a determina o ângulo que a reta forma com o eixo x: quanto maior o módulo de a, mais próxima a reta fica da vertical (sem nunca se tornar vertical, pois isso exigiria a infinito).
Outro ponto importante é que o gráfico da função do 1º grau é contínuo e se estende infinitamente para ambos os lados no eixo x. Isso está de acordo com o domínio ser todos os reais. Em aplicações reais, muitas vezes consideramos apenas um intervalo do domínio, como x >= 0 em problemas de custo, mas matematicamente a reta completa existe.
Como encontrar a raiz ou zero da função
A raiz (ou zero) de uma função do 1º grau é o valor de x que torna f(x) = 0. Graficamente, é o ponto onde a reta cruza o eixo horizontal (eixo x). Como a função é linear, ela possui exatamente uma raiz, desde que a ≠ 0. Para encontrá-la, resolvemos a equação ax + b = 0, isolando x: x = -b / a. Esse cálculo é simples e direto.

Por exemplo, na função f(x) = 3x - 6, fazemos 3x - 6 = 0 → 3x = 6 → x = 2. Portanto, a raiz é x = 2, e o gráfico corta o eixo x no ponto (2, 0). Na função f(x) = -4x + 8, temos -4x + 8 = 0 → -4x = -8 → x = 2, raiz também igual a 2. Já em f(x) = 2x + 5, a raiz é x = -5/2 = -2,5.
Saber encontrar a raiz é útil para resolver equações e inequações, além de ser fundamental para construir o gráfico. Como só precisamos de dois pontos para traçar a reta, a raiz e o intercepto y (0, b) formam o par ideal. Em contextos aplicados, a raiz pode representar o ponto de equilíbrio, por exemplo, quando a receita se iguala ao custo em um modelo de negócios.
Domínio, contradomínio e imagem
Para a função do 1º grau, o domínio é o conjunto de todos os números reais. Isso significa que podemos substituir x por qualquer valor real, positivo, negativo ou zero, e a função estará definida. O contradomínio também é o conjunto dos reais, ou seja, todos os números reais são valores possíveis para f(x). A imagem, que é o subconjunto do contradomínio efetivamente alcançado, também coincide com todos os reais, pois a reta se estende infinitamente tanto para cima quanto para baixo, sem interrupções. Não há restrições como em funções racionais ou com raízes quadradas.

Essa característica simplifica muito a análise. Por exemplo, se quisermos saber para qual x a função atinge um determinado valor y, basta resolver a equação y = ax + b para x, e sempre encontraremos uma solução real, desde que a ≠ 0. Isso faz da função do 1º grau um modelo ideal para grandezas que não têm limites superiores ou inferiores, como o lucro em função da quantidade vendida, em teoria.
Entretanto, em situações práticas, o domínio frequentemente é restrito a valores que fazem sentido no contexto, como x sendo um número natural para unidades vendidas ou x representando tempo não negativo. Mas matematicamente, a função em si não impõe essas limitações.
Aplicações da função do 1º grau
As funções do primeiro grau são amplamente usadas em diversas áreas, especialmente em economia, administração e ciências físicas. Uma das aplicações mais comuns é na modelagem de custos, receitas e lucros. Por exemplo, o custo total de produção C(x) pode ser escrito como C(x) = CF + CV * x, onde CF é o custo fixo (b) e CV é o custo variável por unidade (a). A receita R(x) = p * x, onde p é o preço unitário, também é uma função afim com b = 0. O lucro L(x) = R(x) - C(x) é a diferença de duas funções afins, resultando em outra função afim.

Outra aplicação importante é em problemas de movimento uniforme na física: a posição s(t) de um móvel com velocidade constante é dada por s(t) = s0 + v * t, onde s0 é a posição inicial (b) e v é a velocidade (a). Também usamos funções afins para conversão de unidades (como Celsius para Fahrenheit), para calcular o valor de uma dívida com juros simples (montante = capital + taxa * tempo), e para resolver problemas de proporcionalidade direta com acréscimo fixo.
Abaixo, listo alguns exemplos práticos do uso da função do 1º grau:
- Cálculo do valor de uma conta de água com taxa fixa mais consumo variável.
- Determinação do preço de um produto com desconto fixo mais porcentagem.
- Modelagem da altura de uma planta que cresce linearmente ao longo do tempo.
- Previsão de vendas com base em tendência linear.
- Cálculo da depreciação linear de um bem ao longo dos anos.
Esses exemplos mostram como a função f(x) = ax + b está presente no cotidiano. Para quem deseja ver mais aplicações e exercícios resolvidos, vale consultar publicações especializadas, como artigos da Revista Processus que abordam a função do primeiro grau e suas aplicações em contextos econômicos.
Referências
Para a elaboração deste artigo, foram consultadas as seguintes fontes confiáveis, que também servem como material de estudo complementar:
Brasil Escola. "O que é função do primeiro grau?" Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/matematica/o-que-e-funcao-primeiro-grau.htm. Acesso em 2025.
Toda Matéria. "Função Afim." Disponível em https://www.todamateria.com.br/funcao-afim/. Acesso em 2025.
Beduka. "Aprenda a Função de 1° Grau." Disponível em https://beduka.com/blog/materias/matematica/funcao-de-1-grau/. Acesso em 2025.
Revista Processus. "Função do primeiro grau e suas aplicações." Disponível em https://periodicos.processus.com.br/index.php/multi/article/download/640/688/1431. Acesso em 2025.





